sábado, julho 12, 2008

You Have Killed Me

Desorientation

Tudo isto parece tão errado. Sinto que não sinto o suficiente para ter coragem e fugir. Estranho como a fuga seria o acto de coragem. Já não entendo. Já não me entendem. Já não admiram ou acham que é mais perverso fazer-me de tonta e ridicularizar. Já não me suportam. A mim, às coisas que outrora me preenchiam e me agarravam aos outros. Estão a contar-se mais as vezes que quero sair do que ficar a planar algures em ideias e conceitos pré-destinados. O que é que me prende? Sentir que devo estar em dívida... para comigo, pois a teimosia dos tempos tem de ter algum propósito. Estou encurralada, estou amarrada, estou em sofrimento. O que se perde? Uma boa parte da vida que já passou. Valerá a pena? É essa incerteza que não me deixa cair para lá daquilo que esperam... os outros, os relevantes, os que importam. Mas eu quero. E tudo já é uma questão estrutural e não de conceito. E, por isso, eu quero.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Efeito Borboleta

Efeito borboleta é um termo que se refere às condições iniciais dentro da teoria do caos. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz. Segundo a teoria apresentada, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo. in Wikipédia

domingo, novembro 18, 2007

Deixar ir prá guerra

A exigência dos outros recai sempre quando a fraqueza nos atinge. Assemelha-se aos tempos de guerra: atacar o inimigo quando sabemos que a sua capacidade de reacção está limitada. E o inimigo acaba por cair. Nos que ainda são novos e estão na guerra apenas porque o pai lhes disse que deviam servir o seu País, a queda deixa as consciências pesadas. Aqueles cuja brutalidade da infância permite a distanciação, levam as medalhas e as distinções pelas inanimações que provocaram. Nas relações humanas, sociais, a maldade está patente na segunda elaboração militar atrás descrita. Só que aqui, a queda é lenta, pouco sonora e nem sempre perceptível. Quero acreditar também aqui que quando é irreversível, perdemos idade e as marcas de uma infância mal passada. E procurar justificar qualquer acto menos digno com a culpa (dos outros) como escudo deixou de ser aceitável.

sexta-feira, outubro 26, 2007

quarta-feira, agosto 29, 2007

Under Water

Afundar-me-ia aqui. Memórias, baús, vidas passadas de tão longe que as situamos. A capacidade de regeneração permite suicídios diversos aos quais sucedem renascimentos... forçados normalmente pelo esforço, nosso ou dos outros, que a seu devido tempo se admira. Mundos a tempos descompassados que, não raras vezes, andam à deriva por entre vidas que trespassam pessoas. A sensação de planar junto de um qualquer tecto, de um qualquer espaço onde as personagens encarnam papéis sempre surpreendentes pela qualidade oratória da performance. Planar na transparência que agora caracteriza os limites de cimento, que a civilização há muito impôs, na ilusão de abreviar comportamentos, personalidades e personificações. Algures num estado latente, infernal e até libidinoso pela forma como a persuasão se desenrola, espelham-se vontades deprimentes pela falta de motor mas nunca de vontade. Coordenadas numa vontade desesperada de ser pertença de alguém perfeitamente reclamada e patenteada procuram-se... aqui, perto, familiar oscilam com espaços a três dimensões que a ilusão tão bem elaborou. Só pode realmente existir mas a memória visual não reteve. A justificação sempre pronta, argumentada e cheia de pormenores, que serve de colchão às descidas acidentais permitidas por alguma distracção e cansaço. Afundar-me-ia aqui... com água pelo joelho, de óculos e tubo ou de botija. A água é turva e o tecto confunde-se com o fundo cada vez mais próximo... a pouco luz não chega para perceber a saída onde o ar poderá substituir a água que entrou nos pulmões por acaso. Afundar-me-ia por aqui com a certeza que seria a única pessoa a fazê-lo voluntariamente após todas as contemplações e com todas as malas da bagagem. As tendências suicidas ficam totalmente de parte para o descanso de todos. E as analogias ficam-nos tão bem.

sábado, julho 28, 2007

domingo, julho 15, 2007

domingo, junho 17, 2007

Pierrot, The Clown

And if you're ever around, in the backstreets or the alleys, of this town, Be sure to come around, I'll be wallowing in pity, wearing a frown, like pierrot the clown.

The way out

sábado, maio 19, 2007

Something to say goodbye

As despedidas servem para separar os lamechas dos que se adaptam às circunstâncias das suas vidas com sucesso e, por isso, são mais leves e felizes.
«Deve sempre dizer-se adeus quando a pessoa ainda nos consegue ver...» ou qualquer coisa do género. E isso permite que a lamechice nunca atravesse os poros dos leves e felizes. E nas despedidas há que ser egoísta e, com piada, dizer-se aquilo que se sente. Não para fazer chorar... para que o outro ria e nos consiga ver ainda mais. Mas esta é uma competência das menos fáceis de se adquirir. Tem que haver aqui uma pitada de mau feitio e alguma imunidade emocional.
E, por mais que os que se foram nos façam falta, nunca, mas nunca, devemos ousar verbalizá-lo, E, pouco a pouco, até mesmo nós nos baralhamos. Existirão mesmo nesse tempo que recusamos recordar? Não. Devemos ter sonhado qualquer coisa.
A imagem mental, outrora clara, tem apenas os contornos principais e o cheiro, dantes entranhado, sumiu-se até do imaginário. Mas, de repente, no elevador, o odor era quase... Na rua, faz lembrar alguém...
Mas em 90% do tempo, nada nos distrai do objectivo: refazer o puzzle para que não faltem peças.

quarta-feira, maio 16, 2007

quarta-feira, maio 09, 2007

Here... once again

Common people

Há lugares que gosto de repetir uma e outra vez... em oposição, evito certas pessoas, em certos sítios, vezes sem conta. E não se trata de um mecanismo de defesa, como o evitamento, mas sim de um processo adaptativo: a minha sobrevivência e desenvolvimento passarão sempre por encontrar voluntariamente os indivíduos da minha espécie.

sexta-feira, abril 20, 2007

Auto-exclusão

Quando escreveres a tua biografia, não me incluas. Teria páginas a mais e tu gostas que te leiam. Ou então, abrevia. Não. Não incluas mesmo qualquer referência a mim ou a nós. Podes correr o risco de ser demasiado presunçoso na elaboração dos meus discursos internos. A tua limitação para me interpretares permite-te a acomodação adaptativa perfeita. Quase tão perfeita que se podia escrever sobre isso. Mas... não me incluas na tua biografia.

quinta-feira, abril 19, 2007

Diálogos

Ele - Onde vais? Ela - Deixa-me. Vou. Ele - Estás bem? Ela - Estou. Só não quero estar aqui. Percebes, não percebes? Ele - Não. Não estás bem aqui? Ela - Só estou bem aqui, por isso vou. Ele - E vais bem? Ela - Melhor do que quando cheguei. Obrigada. Ele - Volta sempre.

Thursday

Holly Golightly: Thursday! It can't be! It's too gruesome! Paul Varjak: What's so gruesome about Thursday? Holly Golightly: Nothing, except I can never remember when it's coming up.
Breakfast at Tiffany's (1961)

Near

quarta-feira, abril 18, 2007

Bloc Party

Para quem não conhece...