quarta-feira, março 28, 2007

Id

Constitui o reservatório da energia psíquica, onde se "localizam" as pulsões.
Faz parte do aparelho psíquico da psicanálise freudiana de que ainda fazem parte o ego (eu) e o superego (supereu).
Formado por instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes e regido pelo princípio do prazer, que exige satisfação imediata.
É a energia dos instintos e dos desejos em busca da realização desse princípio do prazer.
É a libido.

terça-feira, março 27, 2007

Não, não vou por aí

Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces, estendendo-me os braços, e seguros de que seria bom que eu os ouvisse quando me dizem: "vem por aqui"! Eu olho-os com olhos lassos, (há, nos meus olhos, ironias e cansaços) e cruzo os braços, e nunca vou por ali... A minha glória é esta: criar desumanidade! Não acompanhar ninguém. -Que eu vivo com o mesmo sem vontade com que rasguei o ventre a minha mãe. Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde, por que me repetis: "vem por aqui"? Prefiro escorregar nos becos lamacentos, redomoinhar aos ventos, como farrapos, arrastar os pés sangrentos, a ir por aí... Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens, e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Como, pois, sereis vós que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, e vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, amo os abismos, as torrentes, os desertos... Ide! tendes estradas, tendes jardins, tendes canteiros, tendes pátrias, tendes tectos. E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios. Eu tenho a minha loucura! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém. Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca princípio nem acabo, nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um atomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou, -Sei que não vou por aí!
José Régio

segunda-feira, março 26, 2007

domingo, março 25, 2007

Contos Infantis

Nunca me incomodaram as despedidas. Vestir a capa de super herói (a força do estereótipo) e fazer-me de feliz. Um até logo em palco que todos confundem com factos verídicos. Idiotices com resultados práticos e mais rugas.

Adaptações Internas

Quase como mudar de cidade, qualquer adaptação interna implica restaurar o modo de vida sem reconhecimento do anterior.

7º dia

"Hoje ressuscitei o meu amigo imaginário."

Funeral

"Hoje enterrei o meu amigo imaginário."

Sensações Físicas

A felicidade para os optimistas leva-os àquele estado irritante de riso constante e olhos brilhantes. Os pessimistas desconhecem o conceito. Depois, há quem alterne por uma boa sensação para os lados do tórax e uma má situada no estômago. Vantagem: duas opções. Desvantagem: tornam-se indissociáveis.

Emergency Exit VI

Social

Ele - "Nós, românticos e romantistas, pairamos sobre as pessoas às quais bastam os aspectos práticos da vida."

Ela - "Pena que, no processo de desenvolvimento intelectual e metafísico, o pragmatismo tenha de vir ao de cima como forma de sobrevivência na sociedade actual."

Ele - (Ela conhece-me demasiado bem e tomou isto como ataque pessoal; sempre tornou tudo tão matemático sem perder a graça; casava-me com ela...)
Ela - (O snobismo que me agrada; mas dizer o contrário daquilo que sentimos permite-nos um pragmatismo adaptativo onde desenvolvemos competências intelectuais e tão pouco exactas; e o treino do auto-controlo atinge os maiores níveis de esforço... primazia do que é relativamente aquilo que seria.)

Hope there's someone

There's a ghost on the horizon When I go to bed How can I fall asleep at night How will I rest my head Oh I'm scared of the middle place Between light and nowhere I don't want to be the one Left in there, left in there Hope there's someone Who'll set my heart free Nice to hold when I'm tired Antony and the Johnsons

sábado, março 24, 2007

Come on, come on, come on, come on...

Strange days have found us

Strange days have found us Strange days have tracked us down Theyre going to destroy Our casual joys We shall go on playing Or find a new town Yeah! Strange eyes fill strange rooms Voices will signal their tired end The hostess is grinning Her guests sleep from sinning Hear me talk of sin And you know this is it Yeah! Strange days have found us And through their strange hours We linger alone Bodies confused Memories misused As we run from the day To a strange night of stone

Conselhos de amiga

Há que matar para não morrer. E a morte voluntária, por suicídio ou homicídio, não conta.

Simbologismos Freudianos

Adormecer exausta depois de mais um dia. Cair para o lado e deixar de sentir o corpo. A transferência necessária do sofá para a cama. Quarto escuro, edredon até às orelhas, almofada baixa, sono REM. Começa então uma curta metragem sem sentido aparente. Numa sala qualquer de qualquer sítio, terra ou país, uma pessoa de faces estranhas, de cabelos compridos, escuros, de peso acima da média e na casa dos trinta aparece com algo nos braços que me entrega. Esta estranha era-me familiar na cena. O que trazia nos braços era um ser vivo. Não era um animal nem mesmo humano. Nunca conseguirei descrever. Sei, pelo cuidado com que lhe peguei, que me era querido e importante e respirava. Ao afastar-me para uma outra sala, observada pela estranha, ao passar o limite da porta, o que era vivo morreu e ficou-se nos meus braços. A mulher estranha soltou uma gargalhada. Aflita (entretanto, desfazendo toda a cama que me acolhia neste devaneio), corri para lhe devolver o que me tinha emprestado. Calmamente, a mulher pegou no ser que renascia instantaneamente no seu colo e lançou-me um dos sorrisos mais ternos e por isso mais assustadores que encontrei em sonhos. Acordei com medo. Acendi a luz porque estava demasiado escuro. Confirmei se mais ninguém estava no quarto. Parecia-me cheio de gente. Acalmei. Fiz a cama de novo com outros lençois e outro edredon como quem muda um cenário. Apaguei a luz e desde então durmo sem almofada e de porta entreaberta.

Out to get you ...again

Im so alone tonight My bed feels larger than when I was small Lost in memories, lost in all the sheets and all old pillows So alone tonight, miss you more than I will let you know Miss the outline of your back, miss you breathing down my neck All out to get you, once again, theyre all out to get you, once again Insecure, what ya gonna do Feel so small, they could step on you Called you up, answer machine, when the human touch Is what I need, what I need is you, I need you Looked in the mirror, I dont know who I am any more The face is familiar, but the eyes, the eyes give it all away Theyre all out to get you, once again, theyre all out to get you Here they come again Insecure, what ya gonna do Feel so small, they could step on you Called you up, answer machine, when the human touch Is what I need, what I need is you Let me breathe, if youd let me breathe Theyre all out to get you, once again, theyre all out to get you

quinta-feira, março 22, 2007

Plaisirs

«A depilação é, sem dúvida, o cinto de castidade psicológico das mulheres urbanas dos nossos tempos. Há delas que não a fazem para não cair em tentação.» Du Diable
O acima transcrito escrevia-se há poucos dias num blog aqui ao lado. E, quase como dando o endereço de uma clínica para mulheres perto da fronteira, informo que existe um gabinete de estética para os lados do Feijó... clandestino, pelo menos a julgar pela localização.

terça-feira, março 20, 2007

Outono, Inverno, Primavera, Verão, Outono...

Algures, por aí, os episódios recentes tornam-se estórias. As certezas do que se diz deixam dúvidas no próprio orador. Algures nas ruas que se cruzam, ficam as vidas intersectadas de alguém, ainda que seja num único minuto. As ocasiões sucedem-se com diferentes atitudes, pessoas e personagens que se encarnam. O estar ou o ficar permite às pessoas sentir uma vida paralela, fingir aquilo que gostariam de ser sem pressões sociais, sem ideias preconcebidas daqueles que já assistiram a momentos menos bons. Noutras vidas, noutras ruas, os desencontros acontecem pela fuga inconsciente de não quer sentir nada diferente, não querer estar envolto num casulo que vai sufocar e terminar com a fase traça. É mais fácil andar que correr e é mais fácil tropeçar que rastejar. O destino que se acha escrito, mas que mesmo assim depende da vontade de alguém, é a treta na qual se precisa de acreditar para continuar. A vida oca, lisa, incolor... Dançar uma dança diferente requer a aprendizagem de passos novos e nessa aprendizagem sempre se pisa alguém. Vezes demais e sem conta. O deambular por cantos conhecidos permite sentir o conforto do pouco mais de metro quadrado, do pó da esquina, dos odores usuais. Depois, a curiosidade de correr para o canto oposto e experienciar outros pós, outros odores, outras rugosidades... Não. O canto escolhido deixa saudades nos fracos de perigo e fortes de audácia. E é aqui que continuar implica não filtrar... o que se tem revelado destrutivo vezes demais. E sim, nas coisas menos racionais, a teoria matemática dos conjuntos funciona lindamente.

segunda-feira, março 19, 2007

Noutra frequência hertziana

I get a kick every time I see you standing there before me I get a kick though its clear to see, you obviously do not adore me

domingo, março 18, 2007

Atmosphere

Walk in silence,

Don't turn away, in silence.

Your confusion,

My illusion,

Worn like a mask of self-hate,

Confronts and then dies.

Don't walk away.

Vicissitudes

Algumas decisões passam por matar ou fazer desaparecer. Parece simples para a maioria dos outros. Mas a premeditação destas alternativas, seja qual das duas for, implica sempre, para as pessoas inteligentes, uma terceira opção - fazer desaparecer com termo de identidade e residência.

Fácil de entender

Sol, roupa de verão, esplanada de água, verde, famílias e cães e pessoas desconhecidas... Sem dúvida, factores estritamente necessários para a criação de conclusões absolutas. Facilitismos do fim de semana.

Home...sweet home(s)

Chegar a uma casa outrora nossa... ainda é nossa mas está em segundo plano. Esquece-se o jeito da porta. Esquecem-se os cheiros dantes familiares. Tudo parece desorganizado, sujo. Entrar no nosso espaço dentro do espaço alheio. O sentido perdeu-se. Chegar, dormir... a cama, a única peça imprescindível... acordar e sair. A rotina repete-se à noite. Nada disto tem o sentimento de perda. Tens sim a conotação de evolução. O tal move on. A vida desenvolve-se agora noutro espaço em que não somos só nós. O indivíduo relacional chega e um qualquer regime transitório permanece ainda em vigor. Sinal de conquista? Ainda não. De mudança? Transitória sim mas por enquanto vitalícia. Arrumam-se os bilhetes dos concertos onde estivemos, as fotografias da parede e o computador, tão usado em noitadas, que fez o seu último shut down há já algum tempo. O correio é cada vez menos e com mais publicidade. Os vizinhos cada vez mais estranhos. Manter ainda o distante acenar ao senhor do café em frente. Perceber que, de todos os lugares por onde se passe, existem uns que vão ter sempre o nosso prego na parede. Ou então, fazemos uma cópia da chave e um dia qualquer regressamos para deixar apenas o buraco. Normalmente aquele que a nossa competência para a bricolage fez cair metade da parede. Mas nestes paradigmas de incompetência, até quase emocional, nada como espetar outro prego ainda maior. Talvez não caia ou denuncie a nossa presença.

quinta-feira, março 08, 2007

Dias inconvenientes

7 h: Acordar, olhar-me no espelho e sentir que tudo está a revelar-se na pele e nos corpos estranhos que nela aparecem; a maquilhagem em dosagens cada vez maiores.
13h: Alguém dizer: "De vez em quando, tens expressões faciais de uma pessoa de terceira idade".
A boa educação não me permitiu ter a resposta adequada nestas duas situações. As desvantagens de não querer nunca sair do salto. Mas podia.

Decisões

Num fim de semana regressar às origens, usar o fio de prumo e alinhar o que parecia desajustado. A seguir, decidir o óbvio quando explicado por quem nos faz todo o sentido. E ficar tão feliz por isso. O costume de trazer o mundo às costas turva a capacidade de ir para lá do que é absolutamente necessário e essencial. Tomar uma das decisões mais importantes da vida sem quaisquer second thoughts. Aliado a isto, reconhecer que nos esquecemos de nós demasiadas vezes. Esquecemos que o nosso esforço para as coisas práticas da vida é apenas parte do procedimento e não do processo. Esquecemos que os outros são parte integrante da nossa vida social enquanto indivíduos. Esquecemos de estimar as nossas especificidades e idiossincrasias. E assim acontecem as grandes mudanças intrínsecas que o exterior revela, para que se envelheça da forma que melhor nos convém e nos causa menor transtorno. E já agora que nos confirme que os neurotransmissores responsáveis pelas sensações de bem estar, de quando em vez, fazem o seu papel.

This is the day

Well, you didn't wake up this morning because you didn't go to bed You were watching the whites of your eyes turn red The calendar on your wall is ticking the days off You've been reading some old letters You smile and think how much you've changed All the money in the world couldn't buy back those days You pull back your curtains And the sun burns into your eyes You watch a plane flying Across a clear blue sky This is the day Your life will surely change This is the day When things fall into place You could've done anything If you'd wanted And all your friends and family think that you're lucky But the side of you they'll never see Is when you're left alone with the memories That hold your life together ... like glue You pull back your curtains And the sun burns into your eyes You watch a plane flying Across a clear blue sky This is the day Your life will surely change This is the day When things fall into place This is the day your life will surely change
The The