terça-feira, fevereiro 27, 2007

Roller Coast

Ao fim de 2 horas de espera na fila, conseguir finalmente o bilhete para a montanha russa que mais sensações desperta... especialmente naqueles últimos metros onde se pára e se preparam os corpos para a descida monumental... entrar na cadeira, pôr o cinto, andar a 100 km/h, subir, descer, sentir o estômago a tentar encontrar o seu espaço... última volta... subida, paragem... é agora...
Ouvir pelos altifalantes que um qualquer mecanismo avariou e que a reparação vai ser prolongada... descer à terra de uma outra forma qualquer.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Agressividade autorizada

Em certos dias (como o de hoje), gostava de ser o Muhammad Ali.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Alegria do dia

Chegar a casa e ouvir "o Benfica ganhou" quando a nossa preferência futebolística, se existe, está mais para os lados do Campo Grande.

Pessoa vs Infante D.Henrique

Na pacatez do sofá, assistia ao documentário sobre Fernando Pessoa inserido no programa televisivo Grandes Portugueses. Clara Ferreira Alves, no seu registo habitual, conta-nos Pessoa como se, de seguida, fossemos até à Brasileira ter como o poeta, beber um copo de vinho na sua companhia e dizer-lhe: "é pá, vi-te na televisão". Por ser o primeiro documentário, da série de dez que ilustram os maiores portugueses que o cansaço me permitiu ver, mas principalmente por estar tão bem feito, a curiosidade permaneceu para o dia seguinte. Personalidade: Infante D.Henrique. O início foi assustador com Gonçalo Cadilhe a sair do mar, de prancha de surf debaixo do braço e tão ofegante que eu só percebi a palavra Henrique porque estava sugestionada pelo rodapé que continha essa informação. Desde espalhar pontos de interrogação pelo chão do Padrão dos Descobrimentos, à entoação, aos gestos e à tentativa de ter piada quando não tem a mínima ponta, tudo aconteceu. E não exagero: um lacobrigense olhou para a câmara e mandou beijos para a mulher e para os filhos lá para casa, a pedido de Cadilhe. Resta-me o silêncio para não ofender ninguém. Esqueçam. O Infante ganhou territórios longíquos, pelo menos durante uns tempos, mas aqui nem nos cinco primeiros chega. Não há personalidade que aguente tamanha humilhação.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Marasmo musical

Nestes momentos, nada como ouvir os clássicos...

Caminhos

Estar por aqui. Perceber que a fuga passava por ali não tivesse eu medo do mar. Estar... Por aqui... Absorver um estado morfológico próprio deste sítio e das pessoas que aqui vivem... Como escolher o "Crime e Castigo" para livro de férias e assegurar que não se fica sem leitura a meio.

Pictures of you

Fragmentos de coisas, de pessoas, de acontecimentos, de memórias... mais ténues se tão passadas, se tão pouco vividas... mais nítidas quando deixamos ficar alguma coisa, de propósito ou não...ainda mais nítidas se foi tão de propósito.
Traduzido à letra, podemos pensar nas fotografias que guardamos.
Contextualizado, pode ser tudo aquilo que guardamos no nosso imaginário ou na elaboração da nossa realidade. A elaboração estraga tudo. Mas o estado já artificial que encerramos não permite que seja doutra forma.
Mas nem sempre os pedaços têm a validade expirada. O presente é tão sujeito à imagética da memória como qualquer outro momento espacio-temporal. E recordar o que acaba de acontecer, com uma imagem nítida e clara, tem sempre uma enorme vantagem: os detalhes perduram um pouco mais. E neste último parágrafo situo as pictures of you. Pelo menos, durante mais algum tempo... enquanto conseguir lembrar-me de todos os pormenores.

Imposições

Tell me how do I feel Tell me now how should I feel

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Desperdícios

Não vem de escada que o incêndio é no porão.

Frase do dia

No auge do desespero, a rotina altera-se para incluir uma actividade qualquer outrora desinteressante. E isto mostra a força de uns, a fraqueza de outros ou ambos.

O melhor ............ do mundo

É pena que só possa dizer-se isto de um bolo de chocolate...

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Distância socialmente aceite

Conceito desconhecido de:
- pessoas estranhas que se penduram no nosso ombro quando estamos no multibanco;
- pessoas estranhas que gostam de encostar-se a nós, na paragem de autocarro, para consegui ler os títulos do jornal que seguramos nas nossas mãos ou o som que emana dos phones do nosso ipod;
- pessoas estranhas que, na caixa do supermercado, parecem querer juntar as suas compras às nossas e tornarem-se personagens de um anúncio onde a fala é "pago eu";
- conhecidos que falam em cima de nós e fixam os nossos lábios como se quisessem, a qualquer momento, fazer-nos respiração boca a boca;
- amigos que, por saberem que isso nos incomoda, mantêm uma curtíssima distância física e acompanham o nosso afastamento com o toque.
Realmente, nos dias que correm, o aumento do relacionamento humano está para o decréscimo da intimidade como as lojas de conveniência para os fumadores.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Strange Days

Acordar às 7 da manhã depois de dois dias de cama...
Qualquer coisa no estômago e uma quantidade estúpida de comprimidos e xarope... quarto dia consecutivo... de repente, a sensação que aquela não é a minha escova de dentes, a minha roupa... demorei quase duas horas a sair de casa. O carro não era o meu e parecia ser a única coisa que batia certo por aqui. De volta ao trabalho. "Como está?"; "Está melhor?". Quem é esta gente? Como é que sabem que eu estive pior para perguntarem se melhorei? Depois percebi. Atitudes estranhas para com pessoas de faces familiares. O longo tempo que a percepção demorou a percorrer o seu caminho habitual deve-se a tudo isto estar desprovido de qualquer sensação de incompreensão. Cheguei. Finalmente. Strange days make people seem wicked... Strange days have found us.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Ai!

É esta coisa que me faz estar de cama há dois dias...
E por mais substâncias que meta, parece resistir a tudo.
Ai!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Cheiro a mofo

A sensação olfactiva que nos atravessa quando descobrimos aquela camisola de lã, feita pela avó, no fundo do armário. Deixámos de a ver porque a indumentária recente foi sobrepondo esta na gaveta. Deixámos de a ver e portanto, esquecemos que existia. Deixou de fazer-nos falta, mesmo nos dias com temperaturas indecentemente frias. E quando a encontramos, mesmo que seja nos tais dias de Inverno rigoroso, já não a usamos. Não a queremos usar. E seguem-se os argumentos: mesmo que seja lavada várias vezes, cheirará sempre a mofo; as cores já não combinam com as actuais tendências; o padrão já não se usa em lado nenhum; a lã passa a picar de modo insuportável. E o cheiro a passado não desaparece. A camisola volta para o fundo da gaveta e, tal como na ordem natural das coisas, o presente sobrepõe-se. Definitivamente, somos todos animais de hábitos.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Verdades populares

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Peça de teatro

Começar por ser a protagonista e acabar em figurante apenas numa cena acessória.
E a hora de almoço pelo meio.

Estados de espírito

Descobrir, muito perto dos trinta, que o Pai Natal não existe.

Late Night

Sair tarde do escritório. Usual. Um hábito, pode mesmo dizer-se. O mesmo ritual de sempre: shut down, casaco, luzes, porta, elevador, rua. Até à paragem do autocarro, sinto que estou num dormitório à céu aberto - bancos de jardim, vãos de escada e passeios servem de beliches. Alguém sentado no chão aguarda uma ambulância rodeado de pessoas. Alguém jaz morto, da bebedeira, junto a uma árvore. Um cego espera que alguém lhe diga que autocarro é aquele. 10 minutos de espera. Perante tudo isto, elaboro sobre o dia difícil que termina e, inevitavelmente, dada a hora tardia, um pensamento de cor neutra ocorre: "existem vidas piores". Finalmente chega o 9. A caminho de casa canto, para dentro, como quem diz uma oração e pede misericórdia: "don’t know where I’m going; don’t know where it’s flowing; but I know it’s finding you..."

domingo, janeiro 21, 2007

Recomenda-se

"Jazz is a white term used to define black people. My music is Black Classical Music."
"You can see colors through music... Anything human can be felt through music, which means there is no limit to the creating that can be done... it's infinite."
Eunice Kathleen Waymon, mais conhecida por Nina Simone