Estou baralhada... de que lado está a razão !?
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Lilah
you're the night, Lilah
a little girl lost in the woods
you're a folktale
the unexplainable
you're a bedtime story
the one that keeps the curtains closed
I hope you're waiting for me
cause I can't make it on my own
I can't make it on my own
it's too dark to see the landmarks
and I don't want your good luck charms
I hope you're waiting for me
across your carpet of stars
you're the night, Lilah
you're everything that we can't see
Lilah
you're the possibility
you're the bedtime story
the one that keeps the curtains closed
and I hope you're waiting for me
cause I can't make it on my own
I can't make it on my own
unknown the unlit world of old
you're the sounds I've never heard before
off the map where the wild things grow
another world outside my door
here I stand I'm all alone
driving down the pitch black road
Lilah you're my only home
and I can't make it on my own
you're a bedtime story
the one that keeps the curtains closed
I hope you're waiting for me
cause I can't make it on my own
I can't make it on my own
Uma das melhores músicas deixadas no meu voicemail...
Estados físicos II
O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...
Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.
Jorge de Sena
Frases II
Se resistimos às nossas paixões é mais pela sua fraqueza do que pela nossa força.
La Rouchefoucauld
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Invicta
Estar em sítios pouco conhecidos causa, na maioria das vezes, insegurança e timidez. Acho que o contrário pode significar que o que nos é familiar já não faz assim tanto sentido. Mas também pode apenas querer dizer que se tem capacidade de adaptação. Seja como for, nunca antes estar sozinha numa cidade praticamente desconhecida me tinha feito sentir em segurança. Acho que é uma questão temporal. Não. Não é porque os dias estão chuvosos ou porque estamos em Dezembro. É a questão de o desconhecido ser temporário e permitir a viagem de volta a casa.
Mas devo dizer que a Invicta fez-me bem à alma: está mais quieta.
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Superego
É inconsciente, é a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. É a repressão, particularmente, a repressão sexual. Manifesta-se à consciência indiretamente, sob forma da moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação e da produção do "eu ideal", isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Pela estrada fora...
- Tem cuidado na estrada.
- Sim. Eu sei.
- Mas cuidado com a curva.
- Sim. Estou a ver.
- Cuidado...
- SIM!!!
Há palavras que se dizem demasiadas vezes... deixo de ouvi-las à terceira verbalização... acho que é a partir da quarta que se tornam verdadeiras... mas aqui já sou surda.
domingo, dezembro 03, 2006
sábado, dezembro 02, 2006
quarta-feira, novembro 29, 2006
domingo, novembro 26, 2006
Como de súbito na vida
Como de súbito na vida tudo cansa!
e cansa-nos a vida e nos cansamos dela,
ou ela é quem se cansa de nós mesmos,
na teima de existir e desejar?
Porque, neste cansaço, não o que não tivemos,
ou que perdemos, ou nos foi negado,
o que de que se cansa, mas também
o quanto temos, nos ama, se nos dá
até os simples gozos de estar vivo.
Um dia é como se uma corda se quebrara,
ou como se acabara de gastar-se,
que nos prendia a tudo e tudo a nós.
Não é que as coisas percam importância,
as pessoas se afastem, se recusem,
ou nós nos recusemos. Não. É mais
ou menos que isto - se deseja igual
ao como até há pouco desejávamos.
É talvez mais. Mas sem valor algum.
O dia é noite, a noite é dia, a luz
se apaga ou se derrama sobre as coisas
mas elas deixam de ter forma e cor,
ou se sumir no espaço como forma oculta.
E o que sentimos é pior que quanto
dantes sentíamos nas horas ásperas
da fúria de não ter ou de ter tido.
Porque se sente o não sentir. Um tédio
Não como o tédio antigo. Nem vazio.
O não sentir. Que cansa como nada.
Até dizê-lo cansa. É inútil. Cansa.
Jorge de Sena
sábado, novembro 25, 2006
quarta-feira, novembro 22, 2006
sexta-feira, novembro 17, 2006
Citação
Qualquer coisa do género...
«É preferível mandar uma fruta para o lixo do que vê-la apodrecer nas nossas mãos.»
Acrescento: Sou muito sensível a cheiros desagradáveis.
sábado, novembro 11, 2006
Incinerate
I ripped your heart out from your chest
Replaced it with a grenade blast
Incinerate
Fire fighters hose me down
I don't care I'll burn out anyhow
Its 4 alarm girl nothing to see
Hear the sirens come for me
You dosed my soul with gasoline
You flicked a match into my brain
Incinerate
The fire fighters are so nice
I remember you so cold as ice
Now flames are licking at yr feet
Sirens come to put me out of misery
You wave yr torch into my eyes
Flamethrower lover burning mind
Incinerate
Pós Chico Buarque...
apetece cantarolar...
por exemplo, isto:
Sempre
Eu te contemplava sempre
Feito um gato aos pés da dona
Mesmo em sonho estive atento
Para poder lembrar-te sempre
Como olhando o firmamento
Vejo estrelas que já foram
Noite afora para sempre
O teu corpo em movimento
Os teus lábios em flagrante
O teu riso e teu silêncio
Serão meus ainda e sempre
Dura a vida alguns instantes
Porém mais do que bastantes
Quando cada instante é sempre
Sempre
(Chico Buarque/2006)
quarta-feira, novembro 08, 2006
Desilusões
Aquelas que insistem em ser exibidas como algo esteticamente coerente...
As que encontram outro nível de compreensão mais profundo e denso...
Aquelas que existem mas são segredo...
As que caçam num qualquer beco e esmagam contra a parede...
O corpo estremece; acorda-se encharcado em suor e a confusão mental perdura...
Mas não era de propósito... o beco já lá estava... e a parede também.
domingo, outubro 29, 2006
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Take control of me...
One...take control of me?
Yer messing with the enemy
Said its 2..it's another trick
Messin with my mind, I wake up
Chase down an empty street
Blindly snap the broken beats
Said it's cut with a dirty trick
Its taken all these days to find ya
I tell you I want you
I tell you I need you
Friends, take control of me
Stalking cross' the gallery
All these pills got to operate
The colour quits and all invade us
There he goes again
Take me to the edge again
All I got is a dirty trick
I'm chasin down the wolves to save ya
I tell you I want you
I'll tell you I need you
I... the blood aint on my face
Just wanted you near me
I tell you I want you
I'll tell you I need you
The blood aint on my hands
Just wanted you near me
I tell you I want you
I'll tell you I need you
The blood aint on my hands
Just wanted you near me
Kasabian, Club Foot
O porquê do Agosto em Novembro
Num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante e gelada.
S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo.
E, apesar de mal agasalhado e de chover torrencialmente, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade.
Mas, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor.
Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso.
in Lendas Tradicionais
Coerências...
"The master writer to me, in that group, was Wayne Shorter. He still is a master. Wayne was one of the few people who brought music to Miles that didn't get changed."
Herbie Hancock
Herbie Hancock
in Herbie Hancock Official Site
Herbie Hancock Quartet, Coliseu dos Recreios, 16 de Novembro, 21h30m
Wayne Shorter
“A vida é tão misteriosa para mim”, diz Shorter. “Não consigo parar frente a qualquer coisa e dizer ‘Isto é o que é’. Pelo contrário penso que aquilo está sempre a transformar-se. Essa é a aventura. E a imaginação é parte da aventura”.
“É a mesma missão... combater o bom combate”, disse. “É fazer uma declaração sobre o que é na realidade a vida”. Acrescentou: “Cheguei a um ponto em que digo ‘não quero saber de regras’. É o que faço agora com a música. Tenho 71 anos, não tenho nada a perder. Vou para o desconhecido”.
Culturgest, Grande Auditório, 9 de Novembro, 21h30m
Grupo Novo Rock
Porque perto dos trinta, sabe bem voltar a tocar aquele vinil que, na adolescência (def. idade da patologia crónica e, muitas vezes, incurável), permitia criar o mood necessário para a procura voluntária de tristezas... Objectivo único: aquele sabor amargo de que tudo é absoluto e irreversível... Que saudades...
Terça-feira, 31 de Outubro, Coliseu dos Recreios, Lisboa, 22 horas
terça-feira, outubro 24, 2006
domingo, outubro 22, 2006
Hokkaido
Hokkaido é a segunda maior ilha, constituindo uma província do Japão. As suas principais cidades são Sapporo, Obihiro, Otaru, Asahikawa, Kitami e Kushiro. Hokkaido é banhada, ao norte e a leste pelo Mar de Okhotsk, ao sul pelo Oceano Pacífico e a oeste pelo Mar do Japão.
Hokkaido é o restaurante japonês de um bairro típico de Lisboa. Atravessar a rua com a melhor companhia ... os california regados a um bom vinho e o espectáculo de fogo e destreza manual quando o cozinheiro actua na chapa do Teppan-Yaki.
Sem dúvida, a aspirina necessária.
sábado, outubro 21, 2006
quarta-feira, outubro 18, 2006
Quotidianos...
Habituamo-nos não àquilo que os outros nos chamam mas sim ao modo como nos nomeiam.
Em condições normais, esse processo é proporcional ao afecto e respeito que nos envolvem.
Em condições normais... Noutras, é totalmente oposto ao crescendo emocional que provocamos.
domingo, outubro 01, 2006
quarta-feira, setembro 13, 2006
I am mine
The selfish, they're all standing in line
Faithing and hoping to buy themselves time
Me, I figure as each breath goes by
I only own my mind
The North is to South what the clock is to time
There's east and there's west and there's everywhere life
I know I was born and I know that I'll die
The in between is mine
I am mine
And the feeling, it gets left behind
All the innocence lost at one time
Significant, behind the eyes
There's no need to hide
We're safe tonight
The ocean is full 'cause everyone's crying
The full moon is looking for friends at hightide
The sorrow grows bigger when the sorrow's denied
I only know my mind
I am mine
And the meaning, it gets left behind
All the innocents lost at one time
Significant, behind the eyes
There's no need to hide
We're safe tonight
And the feelings that get left behind
All the innocents broken with lies
Significance, between the lines
(We may need to hide)
And the meanings that get left behind
All the innocents lost at one time
We're all different behind the eyes
There's no need to hide
terça-feira, agosto 22, 2006
sábado, julho 29, 2006
She Wants Revenge
Title: I Don't Want To Fall In Love
I would like to tell you, I would like to say
That I knew that this would happen
That things would go this way
But I cannot deceive you, this was never planned
I know that you're the right girl
but do you think that I am the right man?
1...2...3...4,5,6,7,
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
(but I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
( I don't wanna)
You say it's not a problem, You say it's meant to be
But love is not an option, our love is never free
And things are not so easy, so cold and we've been burned
I know that I'll have regrets
but that's the price of one more lesson learned
1..2..3...4,5,6,7,
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
(but I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
( I don't wanna)
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
( I don't wanna fall in love)
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
( I don't wanna fall in love)
quinta-feira, julho 27, 2006
Tenho pena e não respondo
Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.
Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros - cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.
Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?
Fernando Pessoa
sexta-feira, julho 21, 2006
Bom Dia...
Existem dias nos quais as pessoas simplesmente não se suportam. Um simples bom dia, rotineiro e aprazível, torna-se na mínima desculpa para rosnarmos não só para quem nos fala mas, de preferência, para todo o mundo. Na maioria das vezes rosno. Hoje disse bom dia.
domingo, julho 09, 2006
domingo, julho 02, 2006
Bandas sonoras...
Every time I think of you
I feel shot right through with a bolt of blue
It's no problem of mine but it's a problem I find
Living a life that I can't leave behind
There's no sense in telling me
The wisdom of a fool won't set you free
But that's the way that it goes
And it's what nobody knows
While every day my confusion grows
Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for that final moment
You'll say the words that I can't say
I feel fine and I feel good
I'm feeling like I never should
Whenever I get this way, I just don't know what to say
Why can't we be ourselves like we were yesterday
I'm not sure what this could mean
I don't think you're what you seem
I do admit to myself
That if I hurt someone else
Then I'll never see just what we're meant to be
Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for that final moment
You'll say the words that I can't say
sábado, julho 01, 2006
Contagem Decrescente...
Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can't you understand
Oh my little girl
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm
Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm
Enjoy the silence
quinta-feira, junho 29, 2006
terça-feira, junho 27, 2006
A Life Transmission
Confusion in her eyes that says it all.
She's lost control.
And she's clinging to the nearest passer by,
She's lost control.
And she gave away the secrets of her past,
And said I've lost control again,
And of a voice that told her when and where to act,
She said I've lost control again.
And she turned around and took me by the hand
And said I've lost control again.
And how I'll never know just why or understand
She said I've lost control again.
And she screamed out kicking on her side
And said I've lost control again.
And seized up on the floor, I thought she'd die.
She said I've lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
Well I had to phone her friend to state my case,
And say she's lost control again.
And she showed up all the errors and mistakes,
And said I've lost control again.
But she expressed herself in many different ways,
Until she lost control again.
And walked upon the edge of no escape,
And laughed I've lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
I could live a little better with the myths and the lies,
When the darkness broke in,
I just broke down and cried.
I could live a little in a wider line,
When the change is gone, when the urge is gone,
To lose control.
When here we come.
terça-feira, junho 13, 2006
Santo António na Bica
Nas últimas horas de luz, as ruas íngrumes da bica começavam a encher-se. Os assadores fumegavam, os vizinhos trocavam copos de sangria, os reformados começavam a encher as janelas como que a aguardar a noite mais esperada do ano. Junto ao Adamastor, o ambiente era demasiado underground. A música popular era substituída por um reggae duvidoso e a vontade de socializar com pessoas desconhecidas, sempre com a ajuda de uma cerveja, decrescia substancialmente. Algum medo. Depois do usual reconhecimento de terreno e de uma senhora de cor me ter posto em sentido, pois a cerveja que eu trazia na mão não tinha sido comprada no seu estabelecimento, descobri a melhor sardinha da Bica. Grupo Excursionista Vai Tu, fundado em 1943. Do lado direito da rua, uma mesa inclinada e duas cadeiras com o avô e a neta. O avô recebia o dinheiro e devolvia uma senha que valia sardinha no pão. A neta, mostrando o ar sério com que as crianças ensaiam as responsabilidades adultas, escolhia uma fatia de pão, colocava-a sobre um guardanapo e dava ao cliente. Do lado direito, onde o fumo não deixava ver a nossa companhia, pessoas com fatias de pão na mão estendida aguardavam a sardinha que completava o petisco. A amizade com o senhor do assador do Grupo Excursionista Vai Tu foi espontânea: "Menina, vai um brinde?"; "Minha flor, tome lá a sua sardinha."; "Se não estiver bem assada, venha cá que eu dou-lhe outra!". Um pouco mais abaixo a entrada de um prédio fazia de banco, cumprimentavam-se os moradores do mesmo, que pediam com licença para entrar em casa: "Com licença. É só um jeitinho. Boa noite.". A sardinha no pão era devorada com as mãos, o cheiro entranhava-se pelo corpo. E se não for assim, não se esteve verdadeiramente nos santos populares de Lisboa. A meio da refeição, o encontro com amigos e outros ainda desconhecidos que sabiam as coordenadas do verdadeiro coração dos santos da Bica. Numa das escadarias de calçada portuguesa mais longas do bairro, um palco montado uns quantos metros acima do chão, dava base ao sr. Vitorino e ao organista seu acompanhante, o Jacaré. Não posso de deixar de referir o senhor da t-shirt Staff que fazia o papel de coreógrafo, pouco sincronizado mas sempre de braços no ar. De Amália a Quim Barreiros, de Carlos do Carmo a Xutos e Pontapés. Dançar o bailarico, fazer o comboio, saltar e acompanhar o sr. coreógrafo, cantar o hino e gritar Portugal. Que maravilha! As senhoras de avental a dançar a pares, um velhinho que nos confessa "estou muito bêbedo" e a televisão a acompanhar as marchas na avenida. A multidão forrava as ruas da Bica mas era agradável subir a rua para ir buscar uma bifana, descer mais um pouco e pedir mais uma cerveja, ouvir que música passava no Bicaense ou seguir o som Blue Monday dos New Order. À medida que as horas passavam, os assadores apagavam-se, a neta que dava o pão para a sardinha já dormia e a festa fazia-se um pouco mais acima na rua do elevador. Ver gente conhecida, dar abraçinhos que só fazem sentido porque já não estamos no completo domínio das nossas faculdades e pedir Joy Division ou The Cure ao senhor libidinoso que serve o nosso vodka limão. A noite estava feita com todas as abordagens possíveis. Dançar "Cheira a Lisboa" e degustar a bela da sardinha, estar no revivalismo musical um pouco mais acima do Bicaense e beber um vodka limão. Decidir que esta foi a melhor noite de santos populares. Decidir que a Bica sabe festejar o Santo António.
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