quarta-feira, dezembro 13, 2006

Confusão Mental

Estou baralhada... de que lado está a razão !?

Lilah

you're the night, Lilah a little girl lost in the woods you're a folktale the unexplainable you're a bedtime story the one that keeps the curtains closed I hope you're waiting for me cause I can't make it on my own I can't make it on my own it's too dark to see the landmarks and I don't want your good luck charms I hope you're waiting for me across your carpet of stars you're the night, Lilah you're everything that we can't see Lilah you're the possibility you're the bedtime story the one that keeps the curtains closed and I hope you're waiting for me cause I can't make it on my own I can't make it on my own unknown the unlit world of old you're the sounds I've never heard before off the map where the wild things grow another world outside my door here I stand I'm all alone driving down the pitch black road Lilah you're my only home and I can't make it on my own you're a bedtime story the one that keeps the curtains closed I hope you're waiting for me cause I can't make it on my own I can't make it on my own Uma das melhores músicas deixadas no meu voicemail...

Cure for pain

Terapêutica precisa-se

Du Diable

http://www.dudiable.blogspot.com/ Sempre preferi o Inferno...

Estados físicos II

O corpo não espera. Não. Por nós ou pelo amor. Este pousar de mãos, tão reticente e que interroga a sós a tépida secura acetinada, a que palpita por adivinhada em solitários movimentos vãos; este pousar em que não estamos nós, mas uma sêde, uma memória, tudo o que sabemos de tocar desnudo o corpo que não espera; este pousar que não conhece, nada vê, nem nada ousa temer no seu temor agudo... Tem tanta pressa o corpo! E já passou, quando um de nós ou quando o amor chegou. Jorge de Sena

Idioteque

Here I'm allowed Everything all of the time

Frases II

Se resistimos às nossas paixões é mais pela sua fraqueza do que pela nossa força.
La Rouchefoucauld

Estados físicos

Frases

Todas as paixões que não sejam do coração dissipam-se meditando.
Lord Byron

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Invicta

Estar em sítios pouco conhecidos causa, na maioria das vezes, insegurança e timidez. Acho que o contrário pode significar que o que nos é familiar já não faz assim tanto sentido. Mas também pode apenas querer dizer que se tem capacidade de adaptação. Seja como for, nunca antes estar sozinha numa cidade praticamente desconhecida me tinha feito sentir em segurança. Acho que é uma questão temporal. Não. Não é porque os dias estão chuvosos ou porque estamos em Dezembro. É a questão de o desconhecido ser temporário e permitir a viagem de volta a casa.
Mas devo dizer que a Invicta fez-me bem à alma: está mais quieta.

Castelos... quem não os faz no ar?

Este é, sem dúvida, o mais bonito castelo do nosso país. Há muito tempo que não dizia isto. Esquecimentos que a memória provoca. Este fim de semana trouxe-me a vontade de repetir aquela frase, até mesmo ao porteiro de um prédio da avenida da Boavista. Exageros.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Superego

É inconsciente, é a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. É a repressão, particularmente, a repressão sexual. Manifesta-se à consciência indiretamente, sob forma da moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação e da produção do "eu ideal", isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa.

Instrumentos de Tortura

Deixo aqui algumas ideias...

Instrumento de Cobardia

Instrumento de Fuga

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Pela estrada fora...

- Tem cuidado na estrada. - Sim. Eu sei. - Mas cuidado com a curva. - Sim. Estou a ver. - Cuidado... - SIM!!! Há palavras que se dizem demasiadas vezes... deixo de ouvi-las à terceira verbalização... acho que é a partir da quarta que se tornam verdadeiras... mas aqui já sou surda.

sábado, dezembro 02, 2006

domingo, novembro 26, 2006

Emergency Exit

Choose Life... I chose not to choose life...

Disorientation

Sonhos em desesperos de causa II

Algures por aqui...

Como de súbito na vida

Como de súbito na vida tudo cansa! e cansa-nos a vida e nos cansamos dela, ou ela é quem se cansa de nós mesmos, na teima de existir e desejar? Porque, neste cansaço, não o que não tivemos, ou que perdemos, ou nos foi negado, o que de que se cansa, mas também o quanto temos, nos ama, se nos dá até os simples gozos de estar vivo. Um dia é como se uma corda se quebrara, ou como se acabara de gastar-se, que nos prendia a tudo e tudo a nós. Não é que as coisas percam importância, as pessoas se afastem, se recusem, ou nós nos recusemos. Não. É mais ou menos que isto - se deseja igual ao como até há pouco desejávamos. É talvez mais. Mas sem valor algum. O dia é noite, a noite é dia, a luz se apaga ou se derrama sobre as coisas mas elas deixam de ter forma e cor, ou se sumir no espaço como forma oculta. E o que sentimos é pior que quanto dantes sentíamos nas horas ásperas da fúria de não ter ou de ter tido. Porque se sente o não sentir. Um tédio Não como o tédio antigo. Nem vazio. O não sentir. Que cansa como nada. Até dizê-lo cansa. É inútil. Cansa. Jorge de Sena

sábado, novembro 25, 2006

quarta-feira, novembro 22, 2006

sexta-feira, novembro 17, 2006

Play it again, Herbie...

Comentário unânime: «O melhor pianista vivo.» E chega. Não se consegue dizer mais nada.

Citação

Qualquer coisa do género... «É preferível mandar uma fruta para o lixo do que vê-la apodrecer nas nossas mãos.» Acrescento: Sou muito sensível a cheiros desagradáveis.

Esmagada

Atiraram um piano pela janela quando eu passava... Autch! Isso dói.

sábado, novembro 11, 2006

Breakfast at Tiffany's

Incinerate

I ripped your heart out from your chest Replaced it with a grenade blast Incinerate Fire fighters hose me down I don't care I'll burn out anyhow Its 4 alarm girl nothing to see Hear the sirens come for me You dosed my soul with gasoline You flicked a match into my brain Incinerate The fire fighters are so nice I remember you so cold as ice Now flames are licking at yr feet Sirens come to put me out of misery You wave yr torch into my eyes Flamethrower lover burning mind Incinerate

Pós Chico Buarque...

apetece cantarolar... por exemplo, isto: Sempre Eu te contemplava sempre Feito um gato aos pés da dona Mesmo em sonho estive atento Para poder lembrar-te sempre Como olhando o firmamento Vejo estrelas que já foram Noite afora para sempre O teu corpo em movimento Os teus lábios em flagrante O teu riso e teu silêncio Serão meus ainda e sempre Dura a vida alguns instantes Porém mais do que bastantes Quando cada instante é sempre
Sempre
(Chico Buarque/2006)

quarta-feira, novembro 08, 2006

Finalmente... vir à tona

Desilusões

Aquelas que insistem em ser exibidas como algo esteticamente coerente... As que encontram outro nível de compreensão mais profundo e denso... Aquelas que existem mas são segredo... As que caçam num qualquer beco e esmagam contra a parede... O corpo estremece; acorda-se encharcado em suor e a confusão mental perdura... Mas não era de propósito... o beco já lá estava... e a parede também.

domingo, outubro 29, 2006

In the hand of inevitable

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão Porque os outros têm medo mas tu não Porque os outros são os túmulos caiados Onde germina calada a podridão. Porque os outros se calam mas tu não. Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão sempre dividendo. Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen

Take control of me...

One...take control of me? Yer messing with the enemy Said its 2..it's another trick Messin with my mind, I wake up Chase down an empty street Blindly snap the broken beats Said it's cut with a dirty trick Its taken all these days to find ya I tell you I want you I tell you I need you Friends, take control of me Stalking cross' the gallery All these pills got to operate The colour quits and all invade us There he goes again Take me to the edge again All I got is a dirty trick I'm chasin down the wolves to save ya I tell you I want you I'll tell you I need you I... the blood aint on my face Just wanted you near me I tell you I want you I'll tell you I need you The blood aint on my hands Just wanted you near me I tell you I want you I'll tell you I need you The blood aint on my hands Just wanted you near me
Kasabian, Club Foot

O porquê do Agosto em Novembro

Num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante e gelada.
S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo. E, apesar de mal agasalhado e de chover torrencialmente, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade. Mas, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor. Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso.
in Lendas Tradicionais

Coerências...

"The master writer to me, in that group, was Wayne Shorter. He still is a master. Wayne was one of the few people who brought music to Miles that didn't get changed."
Herbie Hancock

Herbie Hancock

Herbie Hancock is a true icon of modern music. Throughout his explorations, he has transcended limitations and genres while still maintaining his unique, unmistakable voice. Herbie's success at expanding the possibilities of musical thought has placed him in the annals of this century's visionaries. With an illustrious career spanning five decades, he continues to amaze audiences and never ceases to expand the public's vision of what music, particularly jazz, is all about today. Herbie Hancock's creative path has moved fluidly between almost every development in acoustic and electronic jazz and R&B since 1960. He has attained an enviable balance of commercial and artistic success, arriving at a point in his career where he ventures into every new project motivated purely by the desire to expand the boundaries of his creativity. There are few artists in the music industry who have gained more respect and cast more influence than Herbie Hancock. As the immortal Miles Davis said in his autobiography, "Herbie was the step after Bud Powell and Thelonious Monk, and I haven't heard anybody yet who has come after him."
in Herbie Hancock Official Site

Herbie Hancock Quartet, Coliseu dos Recreios, 16 de Novembro, 21h30m

Wayne Shorter

“A vida é tão misteriosa para mim”, diz Shorter. “Não consigo parar frente a qualquer coisa e dizer ‘Isto é o que é’. Pelo contrário penso que aquilo está sempre a transformar-se. Essa é a aventura. E a imaginação é parte da aventura”.
“É a mesma missão... combater o bom combate”, disse. “É fazer uma declaração sobre o que é na realidade a vida”. Acrescentou: “Cheguei a um ponto em que digo ‘não quero saber de regras’. É o que faço agora com a música. Tenho 71 anos, não tenho nada a perder. Vou para o desconhecido”.
Culturgest, Grande Auditório, 9 de Novembro, 21h30m

Grupo Novo Rock

Porque perto dos trinta, sabe bem voltar a tocar aquele vinil que, na adolescência (def. idade da patologia crónica e, muitas vezes, incurável), permitia criar o mood necessário para a procura voluntária de tristezas... Objectivo único: aquele sabor amargo de que tudo é absoluto e irreversível... Que saudades...

Terça-feira, 31 de Outubro, Coliseu dos Recreios, Lisboa, 22 horas

terça-feira, outubro 24, 2006

domingo, outubro 22, 2006

Cotidiano

«Eu vou tentar achar a minha condição» Obrigada Luís.

Hokkaido

Hokkaido é a segunda maior ilha, constituindo uma província do Japão. As suas principais cidades são Sapporo, Obihiro, Otaru, Asahikawa, Kitami e Kushiro. Hokkaido é banhada, ao norte e a leste pelo Mar de Okhotsk, ao sul pelo Oceano Pacífico e a oeste pelo Mar do Japão. Hokkaido é o restaurante japonês de um bairro típico de Lisboa. Atravessar a rua com a melhor companhia ... os california regados a um bom vinho e o espectáculo de fogo e destreza manual quando o cozinheiro actua na chapa do Teppan-Yaki. Sem dúvida, a aspirina necessária.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Quotidianos...

Habituamo-nos não àquilo que os outros nos chamam mas sim ao modo como nos nomeiam. Em condições normais, esse processo é proporcional ao afecto e respeito que nos envolvem. Em condições normais... Noutras, é totalmente oposto ao crescendo emocional que provocamos.

domingo, outubro 01, 2006

quarta-feira, setembro 13, 2006

Inquietudes

I am mine

The selfish, they're all standing in line
Faithing and hoping to buy themselves time
Me, I figure as each breath goes by
I only own my mind
The North is to South what the clock is to time
There's east and there's west and there's everywhere life
I know I was born and I know that I'll die
The in between is mine
I am mine
And the feeling, it gets left behind
All the innocence lost at one time
Significant, behind the eyes
There's no need to hide
We're safe tonight
The ocean is full 'cause everyone's crying
The full moon is looking for friends at hightide
The sorrow grows bigger when the sorrow's denied
I only know my mind
I am mine
And the meaning, it gets left behind
All the innocents lost at one time
Significant, behind the eyes
There's no need to hide
We're safe tonight
And the feelings that get left behind
All the innocents broken with lies
Significance, between the lines
(We may need to hide)
And the meanings that get left behind
All the innocents lost at one time
We're all different behind the eyes
There's no need to hide

terça-feira, agosto 22, 2006

sábado, julho 29, 2006

She Wants Revenge

Title: I Don't Want To Fall In Love
I would like to tell you, I would like to say That I knew that this would happen That things would go this way But I cannot deceive you, this was never planned I know that you're the right girl but do you think that I am the right man? 1...2...3...4,5,6,7, Right face wrong time, she's sweet (But I don't wanna fall in love) Too late, so deep, better run cause (but I don't wanna fall in love) Can't sleep, can't eat, can't think straight ( I don't wanna) You say it's not a problem, You say it's meant to be But love is not an option, our love is never free And things are not so easy, so cold and we've been burned I know that I'll have regrets but that's the price of one more lesson learned 1..2..3...4,5,6,7, Right face wrong time, she's sweet (But I don't wanna fall in love) Too late, so deep, better run cause (but I don't wanna fall in love) Can't sleep, can't eat, can't think straight ( I don't wanna) Right face wrong time, she's sweet (But I don't wanna fall in love) Too late, so deep, better run cause ( I don't wanna fall in love) Right face wrong time, she's sweet (But I don't wanna fall in love) Can't sleep, can't eat, can't think straight ( I don't wanna fall in love)

Por aqui...

quinta-feira, julho 27, 2006

Tenho pena e não respondo

Tenho pena e não respondo. Mas não tenho culpa enfim De que em mim não correspondo Ao outro que amaste em mim. Cada um é muita gente. Para mim sou quem me penso, Para outros - cada um sente O que julga, e é um erro imenso. Ah, deixem-me sossegar. Não me sonhem nem me outrem. Se eu não me quero encontrar, Quererei que outros me encontrem?
Fernando Pessoa

sexta-feira, julho 21, 2006

Bom Dia...

Existem dias nos quais as pessoas simplesmente não se suportam. Um simples bom dia, rotineiro e aprazível, torna-se na mínima desculpa para rosnarmos não só para quem nos fala mas, de preferência, para todo o mundo. Na maioria das vezes rosno. Hoje disse bom dia.

Sonhos em desesperos de causa...

Depois de certos dias, acalma imaginar a vida
por aqui a fazer colares de sementes...

domingo, julho 02, 2006

Analogias de mim IV...

Bandas sonoras...

Every time I think of you I feel shot right through with a bolt of blue It's no problem of mine but it's a problem I find Living a life that I can't leave behind There's no sense in telling me The wisdom of a fool won't set you free But that's the way that it goes And it's what nobody knows While every day my confusion grows Every time I see you falling I get down on my knees and pray I'm waiting for that final moment You'll say the words that I can't say I feel fine and I feel good I'm feeling like I never should Whenever I get this way, I just don't know what to say Why can't we be ourselves like we were yesterday I'm not sure what this could mean I don't think you're what you seem I do admit to myself That if I hurt someone else Then I'll never see just what we're meant to be Every time I see you falling I get down on my knees and pray I'm waiting for that final moment You'll say the words that I can't say

"Nunca tive dúvidas"

Analogias de mim III...

sábado, julho 01, 2006

Contagem Decrescente...

Words like violence Break the silence Come crashing in Into my little world Painful to me Pierce right through me Can't you understand Oh my little girl All I ever wanted All I ever needed Is here in my arms Words are very unnecessary They can only do harm Vows are spoken To be broken Feelings are intense Words are trivial Pleasures remain So does the pain Words are meaningless And forgettable All I ever wanted All I ever needed Is here in my arms Words are very unnecessary They can only do harm Enjoy the silence

Analogias de mim II...

England ... you are going home!

Boa sorte!

quinta-feira, junho 29, 2006

terça-feira, junho 27, 2006

A Life Transmission

Confusion in her eyes that says it all. She's lost control. And she's clinging to the nearest passer by, She's lost control. And she gave away the secrets of her past, And said I've lost control again, And of a voice that told her when and where to act, She said I've lost control again. And she turned around and took me by the hand And said I've lost control again. And how I'll never know just why or understand She said I've lost control again. And she screamed out kicking on her side And said I've lost control again. And seized up on the floor, I thought she'd die. She said I've lost control. She's lost control again. She's lost control. She's lost control again. She's lost control. Well I had to phone her friend to state my case, And say she's lost control again. And she showed up all the errors and mistakes, And said I've lost control again. But she expressed herself in many different ways, Until she lost control again. And walked upon the edge of no escape, And laughed I've lost control. She's lost control again. She's lost control. She's lost control again. She's lost control. I could live a little better with the myths and the lies, When the darkness broke in, I just broke down and cried. I could live a little in a wider line, When the change is gone, when the urge is gone, To lose control. When here we come.

terça-feira, junho 13, 2006

O Melhor Gelado do Mundo III...

Fever For Chocolate, o melhor sabor... Não consigo mesmo decidir-me...

O Melhor Gelado do Mundo II...

É aqui que fico dividida. Este também é o melhor gelado do mundo. Belgium Chocolate, o melhor sabor...

Santo António na Bica

Nas últimas horas de luz, as ruas íngrumes da bica começavam a encher-se. Os assadores fumegavam, os vizinhos trocavam copos de sangria, os reformados começavam a encher as janelas como que a aguardar a noite mais esperada do ano. Junto ao Adamastor, o ambiente era demasiado underground. A música popular era substituída por um reggae duvidoso e a vontade de socializar com pessoas desconhecidas, sempre com a ajuda de uma cerveja, decrescia substancialmente. Algum medo. Depois do usual reconhecimento de terreno e de uma senhora de cor me ter posto em sentido, pois a cerveja que eu trazia na mão não tinha sido comprada no seu estabelecimento, descobri a melhor sardinha da Bica. Grupo Excursionista Vai Tu, fundado em 1943. Do lado direito da rua, uma mesa inclinada e duas cadeiras com o avô e a neta. O avô recebia o dinheiro e devolvia uma senha que valia sardinha no pão. A neta, mostrando o ar sério com que as crianças ensaiam as responsabilidades adultas, escolhia uma fatia de pão, colocava-a sobre um guardanapo e dava ao cliente. Do lado direito, onde o fumo não deixava ver a nossa companhia, pessoas com fatias de pão na mão estendida aguardavam a sardinha que completava o petisco. A amizade com o senhor do assador do Grupo Excursionista Vai Tu foi espontânea: "Menina, vai um brinde?"; "Minha flor, tome lá a sua sardinha."; "Se não estiver bem assada, venha cá que eu dou-lhe outra!". Um pouco mais abaixo a entrada de um prédio fazia de banco, cumprimentavam-se os moradores do mesmo, que pediam com licença para entrar em casa: "Com licença. É só um jeitinho. Boa noite.". A sardinha no pão era devorada com as mãos, o cheiro entranhava-se pelo corpo. E se não for assim, não se esteve verdadeiramente nos santos populares de Lisboa. A meio da refeição, o encontro com amigos e outros ainda desconhecidos que sabiam as coordenadas do verdadeiro coração dos santos da Bica. Numa das escadarias de calçada portuguesa mais longas do bairro, um palco montado uns quantos metros acima do chão, dava base ao sr. Vitorino e ao organista seu acompanhante, o Jacaré. Não posso de deixar de referir o senhor da t-shirt Staff que fazia o papel de coreógrafo, pouco sincronizado mas sempre de braços no ar. De Amália a Quim Barreiros, de Carlos do Carmo a Xutos e Pontapés. Dançar o bailarico, fazer o comboio, saltar e acompanhar o sr. coreógrafo, cantar o hino e gritar Portugal. Que maravilha! As senhoras de avental a dançar a pares, um velhinho que nos confessa "estou muito bêbedo" e a televisão a acompanhar as marchas na avenida. A multidão forrava as ruas da Bica mas era agradável subir a rua para ir buscar uma bifana, descer mais um pouco e pedir mais uma cerveja, ouvir que música passava no Bicaense ou seguir o som Blue Monday dos New Order. À medida que as horas passavam, os assadores apagavam-se, a neta que dava o pão para a sardinha já dormia e a festa fazia-se um pouco mais acima na rua do elevador. Ver gente conhecida, dar abraçinhos que só fazem sentido porque já não estamos no completo domínio das nossas faculdades e pedir Joy Division ou The Cure ao senhor libidinoso que serve o nosso vodka limão. A noite estava feita com todas as abordagens possíveis. Dançar "Cheira a Lisboa" e degustar a bela da sardinha, estar no revivalismo musical um pouco mais acima do Bicaense e beber um vodka limão. Decidir que esta foi a melhor noite de santos populares. Decidir que a Bica sabe festejar o Santo António.